(*) Arthur Fernandes
É comum ouvirmos que ferramentas tecnológicas como softwares que apoiam a gestão, automações e, mais recentemente, inteligências artificiais, são capazes de proporcionar melhorias de processos e ganhos de eficiência. Embora essa afirmação pareça quase óbvia, a experiência prática mostra que a implementação de uma nova tecnologia nem sempre se traduz diretamente em produtividade ou em resultados melhores para o negócio.
Não há dúvida de que uma boa ferramenta pode transformar a forma como uma organização trabalha. A tecnologia pode automatizar atividades, padronizar processos, reduzir a incidência de erros, facilitar o acesso à informação e aumentar significativamente a capacidade de execução de pessoas e equipes. Em alguns casos, esses ganhos podem ser realmente exponenciais. O ponto é que a capacidade de uma ferramenta, por maior que seja, não determina sozinha o resultado que será obtido.
Existe uma outra variável nessa equação: a capacidade de utilização dessa ferramenta por quem está do outro lado.
Quando uma organização passa a utilizar um software de apoio à gestão, não adquire apenas um conjunto de funcionalidades. Ela também passa a lidar com as regras, etapas, parametrizações, integrações, restrições de segurança e particularidades de usabilidade que fazem parte daquela solução. Mesmo quando tudo isso está devidamente documentado, essas características podem representar obstáculos para os usuários e criar uma distância entre aquilo que a ferramenta é capaz de fazer e aquilo que, de fato, é utilizado no dia a dia.
Foi justamente para atuar nessa distância que, há quase um ano, venho prestando um Serviço de Implementação de Melhorias Continuas (SIMC) para uma grande empresa, cliente da SBMTEC.
Na prática, o serviço envolve a atuação de um recurso dedicado e alocado full-time ao cliente, acompanhando diferentes aspectos do ambiente e de sua evolução. Isso inclui parametrizações e projetos internos de melhoria, acompanhamento de tickets junto à fornecedora, extração de relatórios específicos e mais detalhados, suporte técnico aos usuários, capacitação de recursos e, também, a gestão do relacionamento com o cliente.
Porém, ao longo desse trabalho, ficou cada vez mais evidente para mim que o conhecimento técnico sobre uma determinada tecnologia ou software é apenas uma parte do que é necessário para gerar valor real. Conhecer profundamente o SoftExpert Suite, entender suas funcionalidades, suas possibilidades de parametrização e saber como implementar uma determinada solução é fundamental, mas não é suficiente. É preciso também compreender os processos internos do cliente, suas diretrizes, normas de negócio, particularidades operacionais e aspectos culturais. Esse conhecimento permite enxergar problemas e oportunidades que dificilmente seriam identificados em um projeto pontual através de um discovery, justamente porque são construídos a partir da vivência do ambiente e da observação de como um sistema digital é utilizado na prática.
Potencial e utilização
Foi vivenciando esse dia a dia que comecei a enxergar um paradoxo que considero bastante relevante para a discussão sobre a implementação de tecnologia nas organizações: quanto mais poderosas se tornam as ferramentas, maior pode ser também a distância entre o que elas são capazes de oferecer e aquilo que os usuários efetivamente conseguem extrair delas.
Podemos pensar nessa relação como uma espécie de limiar. De um lado está o potencial proporcionado pela tecnologia; do outro, a capacidade da organização e de seus usuários de transformar esse potencial em utilização efetiva. O valor gerado não está exclusivamente em nenhum dos dois lados, mas na relação entre eles. Uma ferramenta extremamente completa pode gerar pouco resultado se seus recursos não forem conhecidos, compreendidos ou adequadamente aplicados. Da mesma forma, usuários muito bem preparados podem encontrar limitações quando o software não consegue acompanhar as necessidades do negócio.
É nesse ponto que está o principal propósito de um SIMC. Seu papel não se limita a corrigir problemas ou implementar melhorias no ambiente, mas engloba atuar continuamente para aproximar os dois lados: maximizar aquilo que a ferramenta pode proporcionar e, ao mesmo tempo, aumentar a capacidade dos usuários de extrair esse potencial.
Isso significa identificar novas possibilidades de utilização, propor melhorias, ajustar parametrizações, solucionar dores e capacitar as pessoas, mas também entender por que determinadas funcionalidades não estão sendo utilizadas e quais obstáculos estão impedindo que elas sejam incorporadas aos processos. A melhoria, portanto, não acontece apenas no software; ela acontece na relação entre a tecnologia, as pessoas e os processos.
Essa perspectiva se torna ainda mais relevante à medida que as inovações chegam ao mercado em uma velocidade cada vez maior. Inteligência artificial, automação e softwares cada vez mais sofisticados ampliarão continuamente aquilo que as organizações podem fazer. O desafio, entretanto, não será apenas saber adquirir essas tecnologias, mas criar as condições para que elas sejam efetivamente incorporadas ao trabalho e convertidas em resultados.
No fim, talvez a pergunta mais importante não seja apenas “o que essa tecnologia é capaz de fazer?”, mas também “quanto do que ela é capaz de fazer estamos realmente conseguindo utilizar?” É justamente entre essas duas questões que vejo o espaço de atuação com um Serviço de Implementação de Melhorias Continuadas: transformar capacidade tecnológica em utilização efetiva e, consequentemente, transformar sua aplicação em valor para o negócio.
Por que você pode confiar neste artigo?
(*)Arthur Fernandes Arthur Grossi Fernandes é Consultor Técnico na SBMTEC e especialista júnior no SoftExpert Suite e em desenvolvimento de aplicações Web. Pioneiro na prestação de Serviços de Implantação de Melhorias Continuas, trabalha há 10 anos com ferramentas digitais web, possui mais de 8 anos de atuação como docente, unindo hardskills, conhecimento técnico e analítico, e softskills, habilidades de comunicação e didática, para extrair ao máximo da utilização de softwares de apoio a gestão. É estudante de graduação em Ciências da Computação, concluiu Bootcamp extensivo de Desenvolvimento Web Full-Stack pela Labenu, cursou Física na Universidade Federal de Minas Gerais, poliglota, atuou como professor de línguas durante 5 anos, além de ter atuado como professor de física e ciências durante 3 anos.
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